Behind the Volta: The Medical Team Always on Alert
Durante 11 dias de competição, há uma equipa médica que acompanha cada quilómetro da corrida pronta para intervir sempre que necessário. André de Lima Antunes, médico da Volta a Portugal, explica como se protege a saúde dos corredores e revela os desafios de prestar assistência médica numa das mais exigentes provas do calendário nacional.
A native of Castelo Branco, André de Lima Antunes is a specialist in Cardiac Surgery with a postgraduate degree in Sports Medicine. He has been providing medical support at cycling events since 2018. In 2026, he once again joins the medical team of the Volta a Portugal, a role that demands experience, sound decision-making, and constant coordination.
A Volta a Portugal é diferente das restantes provas que acompanha?
Sem dúvida. A Volta a Portugal representa a prova mais exigente da época. São quase duas semanas de competição, com um enorme desgaste físico e mental não só para os corredores, mas também para as equipas e toda a estrutura médica.
Ao contrário das provas de um dia, aqui acompanhamos a evolução clínica dos atletas ao longo de toda a corrida. O desgaste é acumulado e cada decisão médica tem de equilibrar a saúde do ciclista, a continuidade da competição e, acima de tudo, a sua segurança.
Além disso, muitas dessas decisões são tomadas em plena corrida, com os carros médicos a acompanhar o pelotão a velocidades superiores a 50 km/h.
Como está organizada a assistência médica da Volta?
A assistência médica é assegurada por dois carros médicos da Lima Antunes Health Care Services. Cada viatura integra um médico com formação em Medicina Desportiva e um enfermeiro experiente em contexto de urgência e emergência.
Toda a equipa possui formação em Suporte Avançado de Vida (SAV), Suporte de Vida em Trauma (ITLS) e experiência na abordagem pré-hospitalar de situações críticas.
Os dois carros trabalham em permanente articulação com a Direção da Prova, o Colégio de Comissários, as ambulâncias e os hospitais de referência, garantindo uma resposta rápida e coordenada sempre que é necessária assistência.
Porque é que uma prova como a Volta precisa de dois carros médicos?
É essencial para garantir cobertura permanente da corrida.
Dependendo da dinâmica de cada etapa, um dos carros pode acompanhar a fuga enquanto o outro permanece junto do pelotão principal ou dos grupos perseguidores. Desta forma reduzimos significativamente o tempo de resposta em caso de incidente.
Além disso, se um dos carros estiver a prestar assistência, o outro continua disponível para responder a qualquer eventualidade.
O que transportam os carros médicos?
They are mobile emergency units.
We carry a monitor-defibrillator, a vital signs monitor, an electrocardiograph (ECG) machine, an ultrasound scanner, emergency medication, haemorrhage control equipment, immobilisation devices, wound care and suturing supplies, along with many other medical devices.
O objetivo é conseguir estabilizar um atleta no local e garantir todos os cuidados necessários até uma eventual transferência para uma unidade hospitalar.
Quais são as situações médicas mais frequentes durante uma prova como a Volta?
A maioria das intervenções resulta das quedas e do enorme desgaste físico provocado pela competição.
Tratamos frequentemente feridas que necessitam de limpeza ou sutura, contusões, traumatismos, desidratação, exaustão provocada pelo calor, cãibras e outras pequenas intercorrências médicas que permitem ao corredor continuar em segurança.
Felizmente, as situações mais graves são pouco frequentes, embora possam ocorrer fraturas, como da clavícula ou do punho. Toda a equipa está preparada para responder rapidamente sempre que isso acontece.
Qual é o maior desafio de acompanhar uma corrida como a Volta a Portugal?
Tomar decisões corretas em poucos segundos.
Estamos inseridos no trânsito da corrida, acompanhamos atletas em alta velocidade, comunicamos permanentemente com a organização e temos de manter uma avaliação clínica rigorosa em qualquer circunstância.
É um contexto extremamente exigente, onde a experiência, a preparação e o trabalho de equipa fazem toda a diferença.
Depois de tantos anos a acompanhar o ciclismo, continua a sentir o mesmo entusiasmo?
Sem dúvida. Cada corrida é diferente e a Volta a Portugal tem uma dimensão muito própria.
Existe uma enorme responsabilidade, mas também um grande espírito de equipa entre todos os que trabalham na organização. No final de cada etapa, quando tudo corre em segurança, sentimos que contribuímos para o sucesso da prova e para a proteção dos corredores.
